Me incomoda o que eu não posso mudar
Me incomoda o que não quer mudar
Me incomoda o que é irremediavelmente igual a antes
Me incomoda o que se apresente "pior" que antes.
Me incomoda olhar e não reconhecer
e se reconhecer só ver os defeitos,
Me incomoda as mesmas palavras e queixas,
e quando mudam só muda a ordem.
Me incomoda ter acreditado,
Me incomoda ter amado
Me incomoda mais ainda ter querido continuar amando...
Me incomoda seguir em frente e deixar pra trás...
Me incomoda só sentir esse incômodo
porque se fosse raiva seria diferente.
Me incomoda não ver perspectiva além de mim
e não poder dizer a verdade dizendo "ACORDA!"
Me incomoda ter as mãos atadas por não poder me envolver
Me incomoda ter que levar pela mão quem não quer sair do lugar.
Me incomoda o falso conteúdo, a falsa esperteza...
Me incomoda agora essa estranheza que me causa...
Não me comove, só me incomoda e isso é o pior,
E eu me sinto péssima com isso.
terça-feira, 31 de maio de 2011
segunda-feira, 30 de maio de 2011
BUENOS AIRES 2011: 9ª atualização
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| "Casa de Nadie" |
Depois de mais de uma semana sem postar minhas atualizações sobre Buenos Aires, cá estou eu, bom, não falei nada de Buenos Aires porque na verdade não estava aqui, mas vamos ao que realmente interessa.
No Sábado teve apresentação de circo de graça na Avenida Nove de Julho, em frente ao Obelisco, a trupe canadense Les Sept Doigts de la Main (Os sete dedos da mão) apresentou o espetáculo "Casa de Nadie" achei eles meio desengonçados pra dançar e pouco carismáticos, mas no geral foi bem bacana, principalmente um número de acrobacia aérea em rede de pesca. Nessas horas até dá vontade de voltar a treinar circo, mas sem as antigas cobranças, só por diversão e possibilidade de treinamento, acho o virtuosismo lindo, mas pra mim não serve, como acrobata eu sou uma ótima espectadora.
Depois fui assistir no Timbre4 à um monólogo, chamado "Solo lo frágil", achei bem interessante o trabalho da atriz, ela de fato desenvolve personagens bem diferentes, mas sobre tudo a atuação das duas últimas cenas me chamaram bastante atenção, onde ela interpreta uma gueixa e em seguida uma negra estadosunidenses numa igreja católica. Nossa, ela é bastante versátil mesmo, e as soluções cênicas da cenografia são simples mas extremamente funcionais, acho que a falta de bandoor nos refletores é compensada pelas cenografias inteligentes no teatro argentino.Domingo dia de Feria de San Telmo, não sei se é bom ou ruim visita-la sem dinheiro, tem muita coisa bacana que é proporcionalmente inútil, ai ai, vendo aquelas coisas todas de decoração super estilosas pensa que preciso ter minha casa pra decorar do meu jeito, mas depois quando eu lembro da responsabilidade disso, mudo de ideia rapidinho.
O fim de semana foi beeeeeeeeeeeeem preguiçoso, acho que também por causa do meu resfriado, como estava com preguiça de cozinhar inclusive, fui jantar num restaurante aqui perto, e vi uma das cenas mais bonitas da noite, vários velhinhos curtindo o happy hour dançando, velhinhos mesmo, com média de idade de 70 anos. Nossa, isso encheu meu coração de alegria, uma vontade de que seja desse jeito comigo quando tiver a idade deles. Juro que só não tirei foto deles porque eu estava com a câmera fotográfica sem baterias, senão acho que teria até filmado, parecia que eu tava assistindo "Coccum" ao vivo - e esse é um filme que eu acho lindo.
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| Casa Rosada |
Hoje meu roteiro foi a Plaza de Mayo, Casa Rosada e imediações, na verdade eu queria pegar o Bus Turístico, mas acabei perdendo a hora da última saída, mas não faz mal, vou me programar pra fazer isso essa semana pra poder tirar outras fotos de outros pontos de vista. Eu quase me arrisquei a bater perna em Porto Madero, mas o frio acabou me vencendo e eu achei mais sábio voltar pra o hostel, afinal, o resfriado já é o suficiente, não preciso agregar a ele uma crise de sinusite ou algo parecido.
Essa semana quero ver se visito pelo menos mais uns dois museus e no final de semana GANDAIA [adoraria conseguir ir pra balada no Sábado e no Domingo a noite], também tenho que fazer minha programação de teatro, sede, tenho sede de diversão e de conhecimento.
É isso, post preguiçoso de quem tem andado com preguiça nesses dias que antecedem a chegada definitiva do inverno...
domingo, 29 de maio de 2011
3ª parte da breve viagem ao Uruguai: PELAS NUVENS
Meu terceiro e último dia no Uruguai infelizmente não foi bem do jeito que eu queria, primeira coisa, o táxi do hostel ao aeroporto saiu por 520 pesos uruguaios, o que significa que isso me deixou quase sem dinheiro pra turistar com mais tranquilidade, por esse motivo não visitei nem museu na cidade.
A chuva foi outra coisa que me desanimou muito, porque Montevideo já é fria com chuva então ficou quase impraticável, tanto que voltei com um resfriado internacional (o que me fez não ir para aula no Sábado, digamos que eu quase tive uma crise de sinusite).
O mais inusitado desse dia foi ter passado a manhã quase toda conversando com um português que eu não sei o nome sobre viagens, o cara rodou por muitos lugares, conhece o Brasil melhor do que eu e concorda comigo que a comida brasileira é a melhor do mundo e que quem já viveu em São Paulo se desenrola em qualquer outra metrópole [ok, quero da próxima vez experimentar Nova Iorque, acho que é possível desenvolver, mas não arriscaria o Tóquio por exemplo].
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| Plaza los 33 Orientales |
Quando a chuva deu uma breve trégua andei mais um bocado pela principal avenida da cidade, mas nada de muito relevante não a ser contado o dia realmente foi meio parado. O bacana dessa viagem é que eu fui pra ser turista mesmo, afinal normalmente eu só saio de Maceió ou pra trabalhar ou pra estudar, e descobri que apesar de ser legal ser apenas turista, eu preciso de algum objetivo mais concreto nesse "turismo", senti falta de conhecer coisas mais específicas da cidade, sei lá... tipo de música tradicional, espetáculo de teatro, essas coisas.
Sem dúvida o aeroporto de Montevideo [que não fica em Montevideo, diga-se de passagem] foi a coisa mais esquisita que eu vi nesses últimos tempos, porque lá só tem embarque internacional, fiquei me perguntando como isso era possível, bom, muito simples, o Uruguai só tem esse aeroporto, afinal metade da população do país mora na capital e a outra metade distribuída pelas cidades do interior, se levarmos em conta que o Uruguai é um país pequeno, pensar isso é algo possível. Como sempre e infelizmente, a melhor opção de lanche é o McCafé do MacDonalds, porque acaba sendo o mais barato e algo que - pelo menos no café - a gente sabe o que está comendo.
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| Sim, Albert Einstein |
Meu conselho para quem tem que voltar de Montevideo para Buenos Aires é: VOLTE DE BARCO, tudo bem que demora mais, mas é bem mais barato porque nas duas cidades o porto é na área central e você não vai precisar gastar horrorres no táxi.
O vídeo de hoje é da Julieta Venegas com a música "Limón y sal", sim, eu sei que ela é mexicana, mas é porque esse clipe eu assisti no hostel em Montevideo e achei mega fofo - bom, pra compensar não ter assistido o show dela aqui em Buenos Aires no dia 24/05, fica pra próxima, vai que ela faz um show em Recife né.
O que define quem sou?
Uma cor
uma música
um tipo de roupa
um filme
uma frase
uma bula de remédio
um acessório
uma dúvida
um calçado
um ruído
um silêncio
uma foto
um rabisco no caderno
uma cicatriz
um carimbo
um rótulo
um sinal
um mapa astral
uma radiografia
uma chave
um adesivo
uma mentira
uma tatuagem que eu não tenho
um esmalte que não uso
minha impressão digital
Quem define o que sou?
sexta-feira, 27 de maio de 2011
2ª parte da breve viagem ao Uruguai: PELAS ESTRADAS
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| Decoração das paredes do hostel |
Depois de três horas de navio, no dia seguinte encarei três horas de estrada, fui de ônibus de Colonia del Sacramento até Montevideo, coisa de 220 pesos uruguaios, uma bagatela de R$22,00. Acho que a viagem foi tranquila e deve ter sido mesmo, porque eu dormi o tempo todo. Desci na rodoviária e me mandei pra o hostel, coisa de 100 pesos uruguaios, pra turista brasileiro que vai com reais é uma viagem que sai muito barata.
Então, algumas observações, nós brasileiros estamos acostumados com self-service - esqueça isso, nem no Uruguai nem na Argentina você vai encontrar comida no peso. Nosso prato base é arroz, feijão, carne e salada - esqueça também, nos dois países normalmente o que vem é um pedaço enorme de carne (podendo ser carne de vaca - é assim que eles chamam a carne vermelha - galinha ou peixe) acompanhado ou de batata frita ou alface com tomate, se você quiser mais guarnições paga por fora, e paga caro. Em Montevideo tive dificuldade de me alimentar bem, comi, mas daí a dizer que gostei são outros quinhentos.
Falemos da cidade agora, é muito bonita, principalmente a parte velha da cidade, a Ciudadela, que tem inclusive algumas ruínas da entrada do antigo forte, mas eu achei a cidade muito suja e descuidada - impressão que eu tive, pode ser que não seja - muitos monumentos pichados e sujos mesmo, não tem como eu não comparar com Buenos Aires porque é onde eu estou vivendo agora, mas isso não compromete a beleza da cidade.Não tem como você percorrer as ruas e olhas as praças sem pensar em como era tudo aquilo antigamente, a arquitetura de Montevideo mistura desde de prédios centenários até edifícios dos anos de 1970 e prédios mais modernos, não vou dizer que isso está em harmonia porque de fato não está, mas é interessante ter um olhar assim sobre a cidade.
Montevideo faz um frio cortante, não sei porque, deve ser a geografia, afinal é uma pontinha de terra entre o rio e o mar, acho que o vento sopra de todos os lados e a temperatura vai lá pra baixo. Infelizmente por causa do dia da semana e da pouca grana não assisti nada de teatro nem fui pra balada, mas pelo o que eu pude ver nos guias da cidade, no fim de semana rola muita feira de artesanato em algumas praças.
Coisas que eu notei estando lá, as pessoas são mais parecidas fisicamente com nós brasileiros, ok, sendo mais objetiva, são menos brancos, você vê mais morenos, negros, mulatos nas ruas não é feito aqui que ou muito brancos ou tem traços mais indígenas - isso é só uma impressão, não tô aqui classificando por raça ou cor não, observação pura e simples. Outro fator é que eu achei o espanhol de lá mais fácil de entender, a acentuação é mais suave e eles falam um pouco mais devagar.Conversando com as meninas que trabalham no hostel eu achei muito interessante o comentário de uma delas dizendo que eu até que falo um espanhol razoável e quase sem sotaque, perguntei o que isso tinha de diferente, ela respondeu que o problema é que a maioria dos brasileiros que chegam lá não falam uma palavra de espanhol e ficam enrolando no portunhol. Achei bacana essa colocação porque reforça um pouco do que eu penso, poxa, você tá na terra dos outros, tente pelo menos se esforçar para compreender o seu anfitrião, afinal você não gostaria de receber em sua casa alguém que não tentasse se comunicar com você.
Bom, como no post anterior eu pus um vídeo, vou colocar nesse também, escutei pela primeira vez aqui na Argentina, mas só conheci um pouquinho mais em Montevideo, a banda é uruguaia e se chama No te va Gustar, eu gostei bastante, segue aqui o vídeo de "Chau" que de boa é seguramente uma das músicas mais tocadas em Buenos Aires.
1ª parte da breve viagem ao Uruguai: PELAS ÁGUAS
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| O vento do convés me descabelando |
No começo dessa semana, entre os dias 23 e 25, carimbei meu passaporte de novo, dei um pulinho no Uruguai, visitei as cidades de Colonia del Sacramento e Montevideu.
A forma mais rápida de chegar nessas duas cidades é cruzando o Rio da Prata (Río de la Plata ou River Plate - acho tão sonoro o nome em inglês), MAS eu tenho dois problemas sérios com rios/mares/riachos/lagoas/lagos e afins: MEDO PROFUNDO DE MUITA ÁGUA JUNTA e ENJOO. Bom, fui para Colonia de Buquebus num navio enorme, por dentro as acomodações são muito parecidas com de um avião, escolhi o navio que leva três horas pra cruzar o rio, mas tem embarcações mais rápidas. Não vou negar que o medo sempre esteve lá, mas como o navio é grande e confortável foi quase a mesma coisa que andar de avião, quase, porque o navio balança muito mais, o macete é não ficar nos pisos mais baixos, a impressão que eu tive é que quanto mais alto menos você sente o balanço.
No navio tinha um freeshop ótimo, deu vontade de comprar duas coisas lá: maquiagem (produtos de primeira qualidade com preços super em conta, fiquei semi-louca por uma base cremosa no tom certinho da minha pele) e bebidas (Tequila Jose Cuervo por US$17 - no Brasil a gente acha por no mínimo R$60), mas como dinheiro era uma coisa que tava contada e peso era algo que eu não tava nem um pouco afim de carregar, abstraí da ideia e fui dormir.
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| Vista da cidade de Colonia del Sacramento do navio |
Chegamos, fui direto para a Pousada El Viajero, tanto em Colonia como em Montevideu fiquei em hostels dessa rede e eu recomendo, se vocês forem um dia para essas duas cidades vale a pena, eu paguei uma média de US$40, quarto muito confortável, água quente e um café da manhã muito bacana, sem contar no atendimento.
Colonia del Sacramento é a cidade mais antiga do Uruguai e é tombada pela UNESCO como patrimônio histórico da humanidade, tem sete pequenos museus e ruínas da cidade antiga, uma graça de cidade, aconchegante, acolhedora e vive basicamente do turismo, eles atendem muito bem, afinal a economia está baseada nisso. Eu sou de dizer que essa visita é um programa mais pra família ou casal, mas é bacana ir sozinha também, a forma de aproveitar vai ser outra.Para visitar os museus se compra um ticket por 50 pesos uruguaios e pode ir em todos. Não se assustem, o real vale dez vezes mais que o peso uruguaio, logo o valor da entrada era correspondente à R$5,00 - muito barato inclusive se compararmos com alguns museus em São Paulo por exemplo. Uma dica, caso você vá a Colonia, troque seus pesos argentinos, dólares ou reais na Nelson Câmbio, na rodoviária ao lado do porto, as cotações são melhores.
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| Quase todas as ruas são assim |
Em um dos museus que eu não lembro o nome, você entra numa verdadeira máquina do tempo, pois trata-se de uma casa e cada sala reproduz um ambiente com mobília do início do Século XIX. Os museus têm de tudo, desde fóssil de tartaruga gigante até mapas originais da época do descobrimento da América, pra quem gosta de História é um prato cheio, como eu gosto foi ótimo.
Peguei um começo de semana nublado, em Colonia acho que à noite deve ter feito uns 8°C, tava com tanto frio que não tive coragem de dar uma caminhada pela cidade à noite, afinal eu tinha levado pouquissima roupa e não queria me arriscar e ter uma crise de sinusite, porque, resfriada de qualquer forma eu fiquei.
Estando onde estava, não tinha como não pensar nas músicas de Jorge Drexler , principalmente "Al otro lado del río" música que faz parte da trilha sonora do filme "Diários de Motocicleta" (aquele dirigido por Walter Salles com o Gael Garcia Bernal no elenco e relata uma viagem de motocicleta feita pelo jovem Ernesto "Che" Guevara pela América), bom, segue aqui abaixo um vídeo da música que não me saía da cabeça.
quinta-feira, 26 de maio de 2011
De volta...
Sim, já regressei a mi Buenos Aires querido. Foi muito estranho no caminho de volta pensar "Finalmente voltando pra casa...", acho que bateu uma crise de identidade territorial mesmo. O que será que eu vou pensar quando voltar pra Maceió, algo do tipo "Que lugar é esse?"?
Bom, não vou postar nada sobre minha ida ao Uruguai hoje porque tô meio alegrinha, tomei uma taça de vinho, tô cansada, com frio, com o nariz entupido e pondo fofocas em dia pelo MSN, então escrever mesmo só amanhã durante a tarde, mas as postagens serão divididas em três:
- Pelas águas
- Pelas estradas
- Pelas nuvens
Ao passo que as postagens forem sendo feitas vocês entendem o porquê desses nomes, vai demorar um pouquinho pra eu postar tudo porque ainda tem que escolher as fotos, dar uma melhorada nas imagens e essas coisas todas pra ficar um blog bonitinho.
Pra fechar a noite, deixo aqui o clipe de "Antes que seja tarde" do Pato Fu, adoro a música e me identifico um bocado também, gosto bastante da banda e o clipe é primoroso.
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