domingo, 29 de maio de 2011

3ª parte da breve viagem ao Uruguai: PELAS NUVENS

Meu terceiro e último dia no Uruguai infelizmente não foi bem do jeito que eu queria, primeira coisa, o táxi do hostel ao aeroporto saiu por 520 pesos uruguaios, o que significa que isso me deixou quase sem dinheiro pra turistar com mais tranquilidade, por esse motivo não visitei nem museu na cidade.

A chuva foi outra coisa que me desanimou muito, porque Montevideo já é fria com chuva então ficou quase impraticável, tanto que voltei com um resfriado internacional (o que me fez não ir para aula no Sábado, digamos que eu quase tive uma crise de sinusite). 

O mais inusitado desse dia foi ter passado a manhã quase toda conversando com um português que eu não sei o nome sobre viagens, o cara rodou por muitos lugares, conhece o Brasil melhor do que eu e concorda comigo que a comida brasileira é a melhor do mundo e que quem já viveu em São Paulo se desenrola em qualquer outra metrópole [ok, quero da próxima vez experimentar Nova Iorque, acho que é possível desenvolver, mas não arriscaria o Tóquio por exemplo].

Plaza los 33 Orientales
Quando a chuva deu uma breve trégua andei mais um bocado pela principal avenida da cidade, mas nada de muito relevante não a ser contado o dia realmente foi meio parado. O bacana dessa viagem é que eu fui pra ser turista mesmo, afinal normalmente eu só saio de Maceió ou pra trabalhar ou pra estudar, e descobri que apesar de ser legal ser apenas turista, eu preciso de algum objetivo mais concreto nesse "turismo", senti falta de conhecer coisas mais específicas da cidade, sei lá... tipo de música tradicional, espetáculo de teatro, essas coisas.

Sem dúvida o aeroporto de Montevideo [que não fica em Montevideo, diga-se de passagem] foi a coisa mais esquisita que eu vi nesses últimos tempos, porque lá só tem embarque internacional, fiquei me perguntando como isso era possível, bom, muito simples, o Uruguai só tem esse aeroporto, afinal metade da população do país mora na capital e a outra metade distribuída pelas cidades do interior, se levarmos em conta que o Uruguai é um país pequeno, pensar isso é algo possível. Como sempre e infelizmente, a melhor opção de lanche é o McCafé do MacDonalds, porque acaba sendo o mais barato e algo que - pelo menos no café - a gente sabe o que está comendo.

Sim, Albert Einstein
Meu conselho para quem tem que voltar de Montevideo para Buenos Aires é: VOLTE DE BARCO, tudo bem que demora mais, mas é bem mais barato porque nas duas cidades o porto é na área central e você não vai precisar gastar horrorres no táxi.

O vídeo de hoje é da Julieta Venegas com a música "Limón y sal", sim, eu sei que ela é mexicana, mas é porque esse clipe eu assisti no hostel em Montevideo e achei mega fofo - bom, pra compensar não ter assistido o show dela aqui em Buenos Aires no dia 24/05, fica pra próxima, vai que ela faz um show em Recife né.





O que define quem sou?

Uma cor
             uma música
                               um tipo de roupa
                                                          um filme
                                                                        uma frase
                                                                                        uma bula de remédio
                                                                                                                         um acessório
                                                                                                                                              uma dúvida                                                                                                                                   
                                                                                                                            um calçado
                                                                                                              um ruído
                                                                                            um silêncio
                                                                             uma foto
                                         um rabisco no caderno
                     uma cicatriz
um carimbo
                   um rótulo
                                   um sinal
                                                 um mapa astral
                                                                         uma radiografia
                                                                                                  uma chave
                                                                                                                    um adesivo
                                                                                                                                       uma mentira 
                                                                                       uma tatuagem que eu não tenho
                                                  um esmalte que não uso
              minha impressão digital

Quem define o que sou?

sexta-feira, 27 de maio de 2011

2ª parte da breve viagem ao Uruguai: PELAS ESTRADAS

Decoração das paredes do hostel
Depois de três horas de navio, no dia seguinte encarei três horas de estrada, fui de ônibus de Colonia del Sacramento até Montevideo, coisa de 220 pesos uruguaios, uma bagatela de R$22,00. Acho que a viagem foi tranquila e deve ter sido mesmo, porque eu dormi o tempo todo.  Desci na rodoviária e me mandei pra o hostel, coisa de 100 pesos uruguaios, pra turista brasileiro que vai com reais é uma viagem que sai muito barata.

Então, algumas observações, nós brasileiros estamos acostumados com self-service - esqueça isso, nem no Uruguai nem na Argentina você vai encontrar comida no peso. Nosso prato base é arroz, feijão, carne e salada - esqueça também, nos dois países normalmente o que vem é um pedaço enorme de carne (podendo ser carne de vaca - é assim que eles chamam a carne vermelha - galinha ou peixe) acompanhado ou de batata frita ou alface com tomate, se você quiser mais guarnições paga por fora, e paga caro. Em Montevideo tive dificuldade de me alimentar bem, comi, mas daí a dizer que gostei são outros quinhentos.

Falemos da cidade agora, é muito bonita, principalmente a parte velha da cidade, a Ciudadela, que tem inclusive algumas ruínas da entrada do antigo forte, mas eu achei a cidade muito suja e descuidada - impressão que eu tive, pode ser que não seja - muitos monumentos pichados e sujos mesmo, não tem como eu não comparar com Buenos Aires porque é onde eu estou vivendo agora, mas isso não compromete a beleza da cidade.

Não tem como você percorrer as ruas e olhas as praças sem pensar em como era tudo aquilo antigamente, a arquitetura de Montevideo mistura desde de prédios centenários até edifícios dos anos de 1970 e prédios mais modernos, não vou dizer que isso está em harmonia porque de fato não está, mas é interessante ter um olhar assim sobre a cidade.

Montevideo faz um frio cortante, não sei porque, deve ser a geografia, afinal é uma pontinha de terra entre o rio e o mar, acho que o vento sopra de todos os lados e a temperatura vai lá pra baixo. Infelizmente por causa do dia da semana e da pouca grana não assisti nada de teatro nem fui pra balada, mas pelo o que eu pude ver nos guias da cidade, no fim de semana rola muita feira de artesanato em algumas praças.

Coisas que eu notei estando lá, as pessoas são mais parecidas fisicamente com nós brasileiros, ok, sendo mais objetiva, são menos brancos, você vê mais morenos, negros, mulatos nas ruas não é feito aqui que ou muito brancos ou tem traços mais indígenas - isso é só uma impressão, não tô aqui classificando por raça ou cor não, observação pura e simples. Outro fator é que eu achei o espanhol de lá mais fácil de entender, a acentuação é mais suave e eles falam um pouco mais devagar.

Conversando com as meninas que trabalham no hostel eu achei muito interessante o comentário de uma delas dizendo que eu até que falo um espanhol razoável e quase sem sotaque, perguntei o que isso tinha de diferente, ela respondeu que o problema é que a maioria dos brasileiros que chegam lá não falam uma palavra de espanhol e ficam enrolando no portunhol. Achei bacana essa colocação porque reforça um pouco do que eu penso, poxa, você tá na terra dos outros, tente pelo menos se esforçar para compreender o seu anfitrião, afinal você não gostaria de receber em sua casa alguém que não tentasse se comunicar com você.



Bom, como no post anterior eu pus um vídeo, vou colocar nesse também, escutei pela primeira vez aqui na Argentina, mas só conheci um pouquinho mais em Montevideo, a banda é uruguaia e se chama No te va Gustar, eu gostei bastante, segue aqui o vídeo de "Chau" que de boa é seguramente uma das músicas mais tocadas em Buenos Aires.


1ª parte da breve viagem ao Uruguai: PELAS ÁGUAS

O vento do convés
me descabelando
No começo dessa semana, entre os dias 23 e 25, carimbei meu passaporte de novo, dei um pulinho no Uruguai, visitei as cidades de Colonia del Sacramento e Montevideu. 

A forma mais rápida de chegar nessas duas cidades é cruzando o Rio da Prata (Río de la Plata ou River Plate - acho tão sonoro o nome em inglês), MAS eu tenho dois problemas sérios com rios/mares/riachos/lagoas/lagos e afins: MEDO PROFUNDO DE MUITA ÁGUA JUNTA e ENJOO. Bom, fui para Colonia de Buquebus num navio enorme, por dentro as acomodações são muito parecidas com de um avião, escolhi o navio que leva três horas pra cruzar o rio, mas tem embarcações mais rápidas. Não vou negar que o medo sempre esteve lá, mas como o navio é grande e confortável foi quase a mesma coisa que andar de avião, quase, porque o navio balança muito mais, o macete é não ficar nos pisos mais baixos, a impressão que eu tive é que quanto mais alto menos você sente o balanço.

No navio tinha um freeshop ótimo, deu vontade de comprar duas coisas lá: maquiagem (produtos de primeira qualidade com preços super em conta, fiquei semi-louca por uma base cremosa no tom certinho da minha pele) e  bebidas (Tequila Jose Cuervo por US$17 - no Brasil a gente acha por no mínimo R$60), mas como dinheiro era uma coisa que tava contada e peso era algo que eu não tava nem um pouco afim de carregar, abstraí da ideia e fui dormir.

Vista da cidade de Colonia del Sacramento do navio
Chegamos, fui direto para a Pousada El Viajero, tanto em Colonia como em Montevideu fiquei em hostels dessa rede e eu recomendo, se vocês forem um dia para essas duas cidades vale a pena, eu paguei uma média de US$40, quarto muito confortável, água quente e um café da manhã muito bacana, sem contar no atendimento.

Colonia del Sacramento é a cidade mais antiga do Uruguai e é tombada pela UNESCO como patrimônio histórico da humanidade, tem sete pequenos museus e ruínas da cidade antiga, uma graça de cidade, aconchegante, acolhedora e vive basicamente do turismo, eles atendem muito bem, afinal a economia está baseada nisso. Eu sou de dizer que essa visita é um programa mais pra família ou casal, mas é bacana ir sozinha também, a forma de aproveitar vai ser outra.

Para visitar os museus se compra um ticket por 50 pesos uruguaios e pode ir em todos. Não se assustem, o real vale dez vezes mais que o peso uruguaio, logo o valor da entrada era correspondente à R$5,00 - muito barato inclusive se compararmos com alguns museus em São Paulo por exemplo. Uma dica, caso você vá a Colonia, troque seus pesos argentinos, dólares ou reais na Nelson Câmbio, na rodoviária ao lado do porto, as cotações são melhores.

Quase todas as ruas são assim
Em um dos museus que eu não lembro o nome, você entra numa verdadeira máquina do tempo, pois trata-se de uma casa e cada sala reproduz um ambiente com mobília do início do Século XIX. Os museus têm de tudo, desde fóssil de tartaruga gigante até mapas originais da época do descobrimento da América, pra quem gosta de História é um prato cheio, como eu gosto foi ótimo.

Peguei um começo de semana nublado, em Colonia acho que à noite deve ter feito uns 8°C, tava com tanto frio que não tive coragem de dar uma caminhada pela cidade à noite, afinal eu tinha levado pouquissima roupa e não queria me arriscar e ter uma crise de sinusite, porque, resfriada de qualquer forma eu fiquei.

Estando onde estava, não tinha como não pensar nas músicas de Jorge Drexler , principalmente "Al otro lado del río" música que faz parte da trilha sonora do filme "Diários de Motocicleta" (aquele dirigido por Walter Salles com o Gael Garcia Bernal no elenco e relata uma viagem de motocicleta feita pelo jovem Ernesto "Che" Guevara pela América), bom, segue aqui abaixo um vídeo da música que não me saía da cabeça.


quinta-feira, 26 de maio de 2011

De volta...

Sim, já regressei a mi Buenos Aires querido. Foi muito estranho no caminho de volta pensar "Finalmente voltando pra casa...", acho que bateu uma crise de identidade territorial mesmo. O que será que eu vou pensar quando voltar pra Maceió, algo do tipo "Que lugar é esse?"? 

Bom, não vou postar nada sobre minha ida ao Uruguai hoje porque tô meio alegrinha, tomei uma taça de vinho, tô cansada, com frio, com o nariz entupido e pondo fofocas em dia pelo MSN, então escrever mesmo só amanhã durante a tarde, mas as postagens serão divididas em três:
  • Pelas águas
  • Pelas estradas
  • Pelas nuvens
Ao passo que as postagens forem sendo feitas vocês entendem o porquê desses nomes, vai demorar um pouquinho pra eu postar tudo porque ainda tem que escolher as fotos, dar uma melhorada nas imagens e essas coisas todas pra ficar um blog bonitinho.

Pra fechar a noite, deixo aqui o clipe de "Antes que seja tarde" do Pato Fu, adoro a música e me identifico um bocado também, gosto bastante da banda e o clipe é primoroso.



domingo, 22 de maio de 2011

BUENOS AIRES 2011: 8ª atualização

Desfocada e com preguiça
Fim de semana preguiçoso e todo mundo que falou comigo ontem fazendo a mesma pergunta "Ué, o que você tá fazendo em casa em pleno Sábado a noite?". Minha resposta "Me segurando, tô com pouca grana e a próxima semana é de novidades." Na verdade eu tá queria aproveitar a noite, mas estar na internet foi tão proveitoso que valeu a pena não ter saído, tava com saudades de meu querido amigo Maurício Ebbers e a gente deve ter passado pelo menos umas duas horas conversando muita bobagem. E também é bom desacelerar as vezes, ficar quietinha, acho que quando eu voltar pra Maceió vou querer passar umas três semanas sem sair de casa.

Pois bem, eu até que ia dar uma volta na Feria de San Telmo hoje, mas o dia amanheceu chovendo, como minha garganta tá inflamada, achei melhor ficar no hostel, porque de Segunda a Quarta tenho que estar inteira e feliz... atualizações na Quinta!

Sala em estilo mouro
Na Quinta passada continuei minha peregrinação pelos museus portenhos, fui ao Museu de Arte Espanhola Enrique Larreta, museu simples, pequeno, mas pra quem gosta de História Medieval é o lugar certo, tem desde armaduras até uma sala toda ambientada conforme as casas espanholas do início do século XI com tudo que tem direito de influência árabe, lindo mesmo, como eu gosto dessas coisas me senti viajando no tempo.

Nas Sexta fui pra mais uma programação gratúita no Centro Cultural General San Martin, fui assistir "Los hermanos queridos", uma espécie de montagem de conclusão de curso, Ok, tem coisas melhores mas não é ruim não, gostei da proposta dramatúrgica, pois a ação se passa em dois ambientes diferentes, mas que em cena as duas famílias dividem o mesmo cenário, mas um núcleo não interagindo com o outro apesar das cenas simultâneas, me deu umas ideias.

Uma outra coisa bacana que eu tenho feito aqui é ouvir rádio, nossa, é incrível a variedade de músicas, tudo bem que os formatos dos programas são os mesmos, mas ontem de madrugada tocou "Fogo e paixão" do Wando e pouco tempo depois tava tocando "A kind of magic" do Queen, consequentemente, conhecendo bandas novas e vendo que rock é rock em qualquer lugar, pelo menos o que eu tenho conseguido encontrar é bem bacana.

Bom, do mais sem grandes novidades, estou aqui na torcida para que o tempo melhore, não quero correr o risco de estragar minha programação por causa do mal tempo, e olhe que até ontem não tinha uma nuvem no céu.

veremos por onde meus pés vão andar

O achado da noite

Mais uma noite em Buenos Aires, mas o achado é brasileiríssimo,  se trata de A BANDA MAIS BONITA DA CIDADE, indicação de minha amiga virtual Gabriela Cravo, nossa achei a música muito fofa, música que dá vontade de se apaixonar, de amar de verdade, mas não um amorzinho qualquer coisa, mas um amor pleno, mesmo que seja por uma árvore, por outra pessoa, ou o amor pelo amor da sua vida, música que te faz se sentir bem, tudo bem que essa música vai tocar até enjoar, mas enquanto isso não acontece, vamos curtindo.