Nossa, essa semana foi uma semana bastante difícil pra mim em vários aspectos, primeiro porque me deu uma angústia e uma vontade de voltar pra Maceió que foi uma coisa que me deixou metade da semana meio desestabilizada, mas isso sempre acontece, tô com saudades da minha família, dos meus amigos, com milhares de ideias na cabeça e uma coisa chamada TPM que realmente me abala.
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| Praça atrás do Teatro Colón |
Os dias passaram, sem grandes novidades aqui em terras portenhas, muitas ideias na cabeça, muita coisa que quero realizar, mas aí vai ser quando eu voltar para Maceió porque dependem da minha presença, porém nesses dias de marasmo, segui o conselho de nossa queridíssima amiga-atriz-devassa Ivana Iza e fui visitar El Ateneo, a livraria que funciona num antigo teatro, o lugar é mágico, lindo mesmo, assim que você entra dá de cara com um teto pintado com figuras mitológicas [eu acho] e você sente o quanto isso é especial, o quanto aquele lugar é especial, pena que não consegui tirar nenhuma foto boa do teto, mas estar num lugar sagrado que é um prédio teatral, que se transformou num acesso à preciosas fontes de conhecimento, nossa, não tem como descrever.
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| Espetáculo "Los Cordeiros" |
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| Espetáculo "Bernarda Alba al desnudo" Abaixo, Teatro Arlequino |
A segunda má escolha do meu fim de semana, MEDO, PAVOR E PÂNICO, "Bernarda Alba al desnudo", eu defino como APELAÇÃO, o texto quase se mantém como o original, tem atrizes boas, outras ruins, Bernarda e Poncia são feitas por atores [ficou bacana, eu gostei disso], mas as aparições dos meninos nus no meio de algumas cenas fez com que eu tivesse vontade de fazer duas coisas: ou rir ou jogar um sapato neles, quebrava totalmente o clima, mas enfim, pelo nome eu deveria ter desconfiado dessa armadilha, mas juro que quando li ao desnudo não achava que fosse no sentido literal. Essa já é a segunda versão que eu assisto de "A Casa de Bernarda Alba", nossa, eu gosto muito desse texto e sinceramente acho que tô ficando com medo de assisti-lo, bom, um dia eu desapego. O Teatro Arlequino, tem uma carinha de decadente, mas eu achei charmoso, não sei o que me encantou no lugar, palco de tamanho bom, acústica boa, gostei das acomodações pra plateia, de todos os que eu fui até agora é o mais confortável.Bom, pra passar um pouco dessa minha frustração, fui a um lugar na Plaza Serrano em Palermo Soho, o Complejo Brujas Madagascar, lugar de gente jovem e descolada, nada com cara de lugar pra turista, um disco-bar bem bacana, pra mim meio complicado de paquerar, mas gostei do lugar, só é chato pra ir sozinha, e nessas horas é que a gente lembra dos queridos amigos, e quando o assunto é gente jovem e descolada com com copão de Quilmes não tenho como pensar noutra pessoa que não minha querida amiga Pam do Estúdio Máquina de Ideias .
Bom, o fim de semana terminou bem, encontrei amiga-performer Charlene, que passou breves seis horas em Buenos Aires enquanto esperava pra voltar pra o Rio, depois de participar de um festival na cidade de Rosário, além da felicidade de reencontrar uma amiga muito querida e poder falar português com quem fala português, considero encontros desse tipo preciosos pela possibilidade de troca de informações e impressões, nosso material de trabalho é a vida em si, teatro é isso, é o que nos circunda e não tem como ignorar a preciosidade de nossas experiências cotidianas. E estar deslocada da minha cidade natal para ter essas conversas, acrescenta ainda mais o nosso contexto e situação de vida, é justamente com Charlene que tenho essas conversas mais edificantes, claro que tenho conversas assim com outras pessoas, mas nós não nos encontramos em Maceió, estamos sempre em trânsito, e esse trânsito me faz pensar que a acomodação e comodidade não são ações, ou melhor, falta de ações que acrescentem ao fazer teatral, se nem a ostra tá parada porque nós artistas estaremos... minha frase pra Charlene na despedida da gente depois de longos papos foi: "A gente se encontra por aí em algum lugar do mundo..." e eu quero poder repetir isso pra várias outras pessoas.
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| No Subte Línea A, a linha de metrô mais antiga da América Latina |
Ah, antes que eu esqueça do fato histórico da Quinta-feira passada, tenho que registrar aqui a minha felicidade pelo RECONHECIMENTO DA UNIÃO HOMOAFETIVA pelo STJ, independente de orientação sexual essa foi uma vitória da cidadania, dando a todos a equiparidade de direitos, já que os deveres e impostos são os mesmos, eu realmente não acreditava que a minha geração [e eu também, claro] tivéssemos acesso à um direito agora assegurado por lei. Na minha opinião, era um absurdo um país como o Brasil, repleto de diversidade cultural, de proporções continentais ainda não haver aprovado essa lei, se deixando influenciar principalmente pelas manobras políticas de uma pseudo-maioria que teme qualquer tipo de manifestação social que fuja do seu controle.





















