segunda-feira, 9 de maio de 2011

BUENOS AIRES 2011: 4ª atualização


Nossa, essa semana foi uma semana bastante difícil pra mim em vários aspectos, primeiro porque me deu uma angústia e uma vontade de voltar pra Maceió que foi uma coisa que me deixou metade da semana meio desestabilizada, mas isso sempre acontece, tô com saudades da minha família, dos meus amigos, com milhares de ideias na cabeça e uma coisa chamada TPM que realmente me abala.

Praça atrás do Teatro Colón
Essa semana já começou difícil quando eu tentei visitar o Teatro Colón, mas gente, que coisa complicada, senti um certo despreparo dos funcionários ao prestarem informações a turistas que não tenham mais 65 anos nem sejam estadosunidenses ou europeus, na verdade o que eu senti mesmo foi um certo desrespeito (ignoro o motivo realmente) ao me prestarem informações, não sou muito de reclamar ou me vitimizar, mas eu não aconselho ninguém a visitar o local, exceto que você preencha os pré-requisitos anteriores. Bom, pelo menos eu visitei uma praça por trás do Teatro, que é onde rolam alguns ensaios da Orquestra.

Os dias passaram, sem grandes novidades aqui em terras portenhas, muitas ideias na cabeça, muita coisa que quero realizar, mas aí vai ser quando eu voltar para Maceió porque dependem da minha presença, porém nesses dias de marasmo, segui o conselho de nossa queridíssima amiga-atriz-devassa Ivana Iza e fui visitar El Ateneo, a livraria que funciona num antigo teatro, o lugar é mágico, lindo mesmo, assim que você entra dá de cara com um teto pintado com figuras mitológicas [eu acho] e você sente o quanto isso é especial, o quanto aquele lugar é especial, pena que não consegui tirar nenhuma foto boa do teto, mas estar num lugar sagrado que é um prédio teatral, que se transformou num acesso à preciosas fontes de conhecimento, nossa, não tem como descrever.

Espetáculo "Los Cordeiros"
Minha semana continuou difícil na Sexta-feira, fomos [Ana Woolf, Natália Marcet, Cecília Ruiz e o marido dela que eu esqueci o nome] assistir um espetáculo chamado "Los Cordeiros", não é julgando o trabalho de ninguém, cada um faz aquilo que lhe apetece, mas com o apoio financeiro que o espetáculo teve era pra ser outra coisa, meu maior problema era entender o que os atores falavam, eu pensava que é pelo fato de ser brasileira, mas até mesmo os argentinos com quem eu fui assistir o espetáculo não conseguiram entender muita coisa, logo, algo de errado não estava certo. Nada além de grito e histeria, nenhuma mudança de luz, nenhuma transição, NADA. Medo de coisas assim, mas o local de apresentação é uma graça, um antigo galpão que foi transformado em teatro [como a maioria dos daqui] o Teatro Timbre4 possui uma sala grande, bem equipada e tem dois prédios próximos, eu fui no prédio da Calle México, gostei bastante do espaço, embora a peça tenha me feito pensar que aqueles tinham sido os AR$30 mais mal gastos até agora. A vantagem é que teatro também serve para socializar, então vamos a parilla.


Espetáculo
"Bernarda Alba al desnudo"
Abaixo, Teatro Arlequino
A segunda má escolha do meu fim de semana, MEDO, PAVOR E PÂNICO, "Bernarda Alba al desnudo", eu defino como APELAÇÃO, o texto quase se mantém como o original, tem atrizes boas, outras ruins, Bernarda e Poncia são feitas por atores [ficou bacana, eu gostei disso], mas as aparições dos meninos nus no meio de algumas cenas fez com que eu tivesse vontade de fazer duas coisas: ou rir ou jogar um sapato neles, quebrava totalmente o clima, mas enfim, pelo nome eu deveria ter desconfiado dessa armadilha, mas juro que quando li ao desnudo não achava que fosse no sentido literal. Essa já é a segunda versão que eu assisto de "A Casa de Bernarda Alba", nossa, eu gosto muito desse texto e sinceramente acho que tô ficando com medo de assisti-lo, bom, um dia eu desapego. O Teatro Arlequino, tem uma carinha de decadente, mas eu achei charmoso, não sei o que me encantou no lugar, palco de tamanho bom, acústica boa, gostei das acomodações pra plateia, de todos os que eu fui até agora é o mais confortável.

Bom, pra passar um pouco dessa minha frustração, fui a um lugar na Plaza Serrano em Palermo Soho, o Complejo Brujas Madagascar, lugar de gente jovem e descolada, nada com cara de lugar pra turista, um disco-bar bem bacana, pra mim meio complicado de paquerar, mas gostei do lugar, só é chato pra ir sozinha, e nessas horas é que a gente lembra dos queridos amigos, e quando o assunto é gente jovem e descolada com com copão de Quilmes não tenho como pensar noutra pessoa que não minha querida amiga Pam do Estúdio Máquina de Ideias .


Bom, o fim de semana terminou bem, encontrei amiga-performer Charlene, que passou breves seis horas em Buenos Aires enquanto esperava pra voltar pra o Rio, depois de participar de um festival na cidade de Rosário, além da felicidade de reencontrar uma amiga muito querida e poder falar português com quem fala português, considero encontros desse tipo preciosos pela possibilidade de troca de informações e impressões, nosso material de trabalho é a vida em si, teatro é isso, é o que nos circunda e não tem como ignorar a preciosidade de nossas experiências cotidianas. E estar deslocada da minha cidade natal para ter essas conversas, acrescenta ainda mais o nosso contexto e situação de vida, é justamente com Charlene que tenho essas conversas mais edificantes, claro que tenho conversas assim com outras pessoas, mas nós não nos encontramos em Maceió, estamos sempre em trânsito, e esse trânsito me faz pensar que a acomodação e comodidade não são ações, ou melhor, falta de ações que acrescentem ao fazer teatral, se nem a ostra tá parada porque nós artistas estaremos... minha frase pra Charlene na despedida da gente depois de longos papos foi: "A gente se encontra por aí em algum lugar do mundo..." e eu quero poder repetir isso pra várias outras pessoas.

No Subte Línea A,
a linha de metrô mais antiga
da América Latina

Ah, antes que eu esqueça do fato histórico da Quinta-feira passada, tenho que registrar aqui a minha felicidade pelo RECONHECIMENTO DA UNIÃO HOMOAFETIVA pelo STJ, independente de orientação sexual essa foi uma vitória da cidadania, dando a todos a equiparidade de direitos, já que os deveres e impostos são os mesmos, eu realmente não acreditava que a minha geração [e eu também, claro] tivéssemos acesso à um direito agora assegurado por lei. Na minha opinião, era um absurdo um país como o Brasil, repleto de diversidade cultural, de proporções continentais ainda não haver aprovado essa lei, se deixando influenciar principalmente pelas manobras políticas de uma pseudo-maioria que teme qualquer tipo de manifestação social que fuja do seu controle.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Sem profundidade...

Quero ver o fundo do rio
Quero cruzar andando até a margem,
Quero ver onde são os desvios
Quero ver onde vai dar a viagem...

Ver meus pés [não] fazerem rastros na areia
Caminhar lento sem peso fluente
Ver meus pés cruzando vidas alheias
Caminhar lento sem peso pra frente,

Estar no raso, sem correnteza, sem profundidade
Mas ao mesmo tempo não estar sem vontade
Vontade de respirar, vontade de oxigênio
Vontade de urgência.

Vontade que passe o que tem que passar
Vontade que fique apenas o que me pertencer,
Que eu atravesse as pontes, as praças, os parques, las calles,
Mas que eu saiba onde fi[n]car.

sombra e grama

domingo, 1 de maio de 2011

BUENOS AIRES 2011: 3ª atualização

Ok ok, doce ilusão a minha achar que eu só atualizaria o blog semanalmente, acho melhor escrever as coisas a medida que forem acontecendo, fica mais fácil de organizar as ideias, tanto porque meu final de semana desde Quinta foi bem movimentado, e bote movimentado nisso... então comecemos pelo começo, porque essa postagem vai ser imensa.

Pela primeira vez na minha vida eu desmaiei, pois é, tive uma hiperventilação durante a aula de Ana Woolf, nossa, juro que me assustei, mas o treinamento tá sendo incrível, nessa Sexta só eu fui pra o treinamento, então tive a oportunidade de ter aula com ela sozinha, tudo bem que no outro dia eu não consegui acordar, mas nunca tive tanta consciência do meu corpo quanto naquelas três horas, recomendo para todas as pessoas de teatro, porque a sensação de que sua voz está literalmente saindo pelos cotovelos é uma coisa impossível de se explicar.

Espetáculo "Lisboa - el viaje etílico"
À noite fui assistir "Lisboa - el viaje etílico", no Teatro del Pueblo, um teatro localizado no subsolo de um prédio próximo ao Obelisco, o teatro foi fundado em 1930 e é uma graça, essa sala que eu conheci possibilita que se tenha público em três lados da plateia porém tem outra com palco italiano que eu ainda não fui, quando ao espetáculo, duas coisas me chamaram muita atenção, primeira é que tem duas atrizes e um ator que cantam que é uma loucura e a outra que me saltou aos olhos é a preparação corporal de uma das atrizes, nossa, as mudanças de estado da personagem eram feitas por pequenos deslocamentos de coluna, dos músculos das costas, nossa, eu fiquei impressionada. Muitas coisas me incomodaram, mas acho que não vem ao caso tratar daquilo que não se gosta.

Uma das sala do Teatro del Pueblo

No Sábado eu até quis, mas não tive como acordar, por causa do treinamento da Sexta e do espetáculo que terminou depois da meia-noite, eu estava muito cansada, mas cansada demais, Sábado tinha tudo para ser um dia morto, o dia até podia ser, mas a NOITE...

Comecei minha maratona depois de fazer compras [ok, o lado bom de morar noutra cidade e sozinha é que eu me sinto um pouco mais adulta pra essas coisas], voltei pra casa, olhei os milhares de panfletos que tinha e escolhi as duas pedidas da noite, troquei de roupa [basicão: movimento calça justa, regata preta, blusa branca de botão por cima, jaqueta, All Star azul e mochila], primeira parada da noite: Subte Línea E, estación Belgrano.


Banner do espetáculo
Fui ao Centro Cultural Caras y Caretas assistir "Como si fuera nadie", só um casal em cena, um homem e uma mulher, falando de coisas banais, não bobagens, coisas que se vive, coisas que são de extrema dificuldade de serem ditas num teatro, na verdade, num espaço cênico, porque o espetáculo se passa numa praça, mas o espaço usando foi uma parte do corredor de acesso à outras salas, com iluminação teatral e tudo mais, tudo muito simples, mas a simplicidade necessita de uma capacidade de elaboração imensa. E eu achei extremamente louvável.

Espaço onde foi apresentado o espetáculo
Antes de começar o espetáculo fui a um café pra dar o tempo necessário pra o começo, cheguei numa praça em San Telmo que tem a Mafalda das tirinhas de jornal sentadinha num banquinho, da outra vez que vim a Buenos Aires a fotografei, bom, vendo aquela cena inusitada da Mafalda me olhando enquanto eu tomava um café e pensava nas coisas, não tive como não pensar em Rose, embora eu saiba que ela não vai ler esse blog postei minha declaração de amor pra ela também.

Espetáculo "Mujer armada
hombre dormido"
Terminado o espetáculo fui louca pra o Subte pra me encaminhar para o agradabilíssimo El Camarin de las Musas, Sábado a noite aquele lugar bomba mesmo, mas não gostei do espetáculo que fui assistir, "Mujer armada hombre dormido", na verdade não consegui entender direito, as histórias se cruzavam e eu não consegui ver onde era o ponto de intersecção delas, essa é a desvantagem de assistir espetáculos em outro idioma. O lado bom é que assim eu conheci a outra sala de lá, essa é maior, realmente lembra muito os teatros da Praça Roosevelt em São Paulo.

Pré-balada, pulinho no hostel
só pra deixar a mochila
Então, já era meia-noite e meia, eu me sentindo bonita, de bem comigo mesma, escutando rádio onde só rolava música eletrônica, tava louca pra sair pra dançar, pois é, eu que quase nunca saio sozinha pra balada fui SOZINHA me jogar na noite, tudo bem que o primeiro "boliche" [é assim que os argentinos chamam as boates, bares, sinucas e adjacentes] que eu fui tinha virado clube de strip-tease, tomei um táxi semi-derrotada para voltar pra o hostel, até que tive coragem de perguntar pro taxista se ele conhecia alguma disco gay-friendly, a resposta: "SI, CLARO! PARA CHICOS O PARA CHICAS!", seguimos pela Avenida Corrientes, o primeiro lugar onde paramos eu não me agradei nem da fachada, fomos para a outra opção...

AMERIKA, gente, tem de tudo um pouco, a entrada tava AR$75,00 open-bar, ok, tomei um gin com tônica no começo da noite, depois duas garrafas de água mineral e depois uma coisa chamada 7º Regimiento (que leva whiskey, vodka e mais um monte de coisa) pra tomar coragem. Em relação à música, toca desde os batidões do Planeta DJ da Jovem Pan, até os sons mais daqui, sim, tocou Xuxa em espanhol e Daniela Mercury. 

Dessa vez, mesmo viajando, não tive erro de chip, pras meninas que não querem ficar com ninguém fica a dica que os caras daqui são beeeeeeeeeeeeeeeeeem insistentes, conseguem ser inclusive mais chatos do que os bêbados de fim de noite que acham que só porque é mulher você tem a obrigação de ficar com eles, nessas horas me serviu linda até o gerente do hostel achar que eu me chamo Fernanda, ele e os cinco que eu tive que dar um toco falando pouquíssimo de espanhol acham isso agora.

Porém, por causa de um desses tocos eu saí do meio da pista e fui pra o primeiro piso e lá pelas 4H20 as coisas começaram a mudar, porque assim que eu cheguei na boate chegou uma figura interessante, do meu número, que eu olhei mas (como sempre) nem fiz nada, depois a mesma coisa na fila da chapelaria, enquanto eu tava na pista eu segui observando mesmo de longe, estando no primeiro piso seria teoricamente mais fácil, mas quando eu cheguei a figura não estava mais lá, poucos instantes depois ressurgiu com um amigo que intermediou toda a conversa, agora imaginei a situação: EU (fator complicante de paquera) + SÓBRIA (fator mais complicante de paquera) + TENDO QUE FALAR OUTRO IDIOMA (fator que quase impossibilita uma paquera) = ... deu certo... encontrei o amor da minha vida dessa semana. Demorou duas horas pra eu chegar, mas de algum modo, mesmo com ajuda eu cheguei, afinal eu fui doida suficiente pra dizer "El problema és que yo no hablo español, no se como dicier que queiro besar quien está adelante de mi"

Tenho certeza que meu querido amigo Maurício teria ficado muito orgulhoso de mim, afinal, durante a semana eu passei o tempo todo consumindo o juízo dele, dizendo que não sei sair sozinha pra esse tipo de lugar, que não sei paquerar [continuo não sabendo, mas tudo bem] e estando na balada não tinha como não pensar nele...


quinta-feira, 28 de abril de 2011

BUENOS AIRES 2011: 2ª atualização

Vim tão louca querendo escrever sobre o que se passou essa noite que quase passo direto na rua eu tinha que entrar pra voltar pra o hostel.

Essa noite valeu a pena, não fiquei com ninguém, não fui paquerada (na verdade acho que fui, mas a figura em questão não me interessava), mas fui num lugar muito bacana chamado El Camarin de Las Musas, um bar-café-teatro que lembra muitos os teatros da Praça Roosevelt em São Paulo, só que esse tem uma cara mais sofisticada, com uns livros, pessoas aparentemente interessantes e todo esse clima intelectual mas sem ser chato ou pedante, se Udson tivesse aqui provavelmente teríamos tomado um café lá.

El Camarin de Las Musas
Bom, fui lá pra assistir “Julieta y Julieta”, sim, adaptação lésbica pra “Romeu e Julieta” do Shakespeare, mas sinceramente, eu nem penso muito nessa questão de gênero nem nada assim, você assistindo até esquece que se tratam de duas mulheres (acho que é porque eu vejo isso com muita naturalidade - claro).

Cena de "Julieta y Julieta"
Gente, as duas Julietas são muito boas (como atrizes, quero deixar isso bem claro, apesar de ter achado uma delas muito bonita mesmo), umas soluções de cenografia muito boas – como por  exemplo, uns “armários” (porque parecem armários mesmo) que são o quarto e a casa das Julietas, mas os atores entram nesse “armário” e ninguém vê-los entrando, porque têm paredes falsas, luz bacana, que conseguia pontuar bem a atmosfera de cada cena e as passagens de tempo, nossa, eu gostei muito mesmo.

Tudo bem que nos cinco primeiros minutos tive uma dificuldade tremenda de entender o texto,  mas depois que eu acostumei com a velocidade com que o elenco falava, deu pra notar que  o texto é bem escrito, delicado mesmo, sem apelações ou banalidades.

Não estou aqui dando uma de crítica de teatro não, só quero mesmo compartilhar do que assisti, já que meus queridos amigos não estão por aqui essa é a forma de dividir minhas experiências com eles. Saí de lá com vontade de para num café da Avenida Rivadavia, tomar uma cerveja e conversar sobre teatro, é incrível como eu tenho pensado tanto em teatro aqui... parece que vim carregar as baterias pra voltar pra Maceió e fazer um monte de coisa... ai ai... é como estar apaixonada, na verdade é amor mesmo...

Por falar em amor, tô dedicando essa postagem de hoje pra Udson, nem sei se ele vai ter como ler de tão aturdido que ele está com a estreia de "Desnuda", mas pensei demais nele hoje, pelos papos que a gente sempre tinha no Café do Palato e no que tenho lido do Eugênio Barba, não pude me conter e fiz essa pequena carta num guardanapo que quando eu chegar a Maceió vou entregar a ele.


Sei que na postagem fica pequeno, mas é só clicar na imagem que dá pra ler o conteúdo. Sem mais, fico por aqui... ai ai, que noite gratificante!!!!

sexta-feira, 22 de abril de 2011

BUENOS AIRES 2011: 1ª atualização

Só pra variar não estou viajando a turismo, essa imersão na língua espanhola é porque estou fazendo um Seminário de Antropologia Teatral com Ana Woolf, mas como eu vou passar três meses em terras portenhas, juntemos então o útil ao agradável.

Estou morando num hostel no centro geográfico de Buenos Aires, não sei se estamos em Caballito ou em Almagro, mas estamos em algum lugar bem bacana, tem de tudo aqui perto, desde cinema até quitanda, lugar bem central mesmo, hoje é o quinto dia que estou aqui e já deu pra dar uma volta nas redondezas, agora só falta arrumar coragem pra encarar os ônibus (nada contra andar de ônibus, mas fazer isso numa cidade que eu não tenho domínio do idioma parece ser meio complicado).

Aqui dá vontade de fazer duas coisas: FUMAR e COMER CHOCOLATE, como eu não preciso virar fumante e não posso comer muito doce, faço o que mais me agrada numa cidade fria (nem tá tão frio assim, eu e que não sou acostumada) e sem ladeiras: vou andar, vi alguns parques e praças, essas fotos dá pra ver no meu Orkut ou então no meu Facebook.

Bom, assim que eu cheguei tive um quase semi pânico achando que meu cartão do banco tava bloqueado, mas era eu quem não tava sabendo como sacar dinheiro mesmo, depois meu problema foi de ordem idiomática, tava tentando entender o espanhol falado pelo chineses donos dos mercados daqui de perto (me senti aliviada quando o gerente do hostel disse que nem ele consegue entender) e depois o grande desafio COMO ALGUÉM QUE NÃO SABE COZINHAR COMPRA COMIDA NUM LUGAR ONDE NÃO FALA MUITO BEM O IDIOMA? Nesse caso recorri a um supermercado tipo Extra ou Bompreço, sem maiores problemas, inclusive no custo de vida, dá pra dizer que é como São Paulo.

Tava dizendo que Buenos Aires é uma São Paulo que fala espanhol, não tô tendo grandes problemas a princípio, só algumas coisas que seria mais bacana fazer com turma que eu não me empolgo tanto em fazer sozinha, mas deixa eu primeiro sentir a cidade, conhecer e entender como ela flui.

Outra coisa que me deixa feliz é uma tolice sem tamanho: as folhas caídas nas calçadas, aqui tem outono e eu acho liiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiindo (sempre achei apesar de Maceió só ter ou Verão ou Mormaço), o ruim é que junto com as folhas sempre tem um tanto de cocô de cachorro, nossa, tem muito cachorro nessa região da cidade, e proporcionalmente muito dono mal-educado - certo, nesse aspecto Bs As é bem diferente de São Paulo, mas não se pode ter tudo.

No geral os portenhos são bem receptivos e educados, e acredito que o fato de me esforçar pra falar espanhol ou invés de portunhol deve contar pontos positivos (embora tenham me falado que o que conta mais ponto é o fato de ser mulher mesmo). 

Trouxe umas coisas pra ler, tenho internet wi-fi disponível 24 horas por dia e comprei três filmes do Harry Potter, além é claro de cuidar da atualização desse blog e do blog da Invisível. Daqui do hostel a pessoa mais acessível pra conversar é Pablo, um argentino de Tandil que fala tão rápido que eu perco o fôlego por ele e Felipe, um cachorro enorme (acho que um boxer) que toda vez que chega alguém ele vai, cheira e olha com uma cara de "OK, pode entrar".

É isso, pretendo aproveitar ao máximo minha estada por aqui, acho que nesses três meses talvez dois amigos meus dêem uma passadinha por aqui, vamos ver o que rola!!!

sábado, 16 de abril de 2011

Minha fórmula da felicidade

Montagem de cenografia em Mar Vermelho
Nessa última semana consegui conciliar três aspectos muito importantes pra mim: AMIGOS + VIAGEM + TEATRO = FÓRMULA FELICIDADE. Pois é, minha equação parece ser essa, estou numa felicidade desmedida desde o dia 12 de Abril, assim que pusemos o pé na estrada [conduzidos pelo nosso motorista e ajudante de desmontagem de cenário João]. 

Viajamos da Zona da Mata ao Litoral Norte de Alagoas, pelas cidades de Mar Vermelho, Ibateguara e Japaratinga, circulando com o espetáculo da Invisível Companhia de Teatro, A COR DA CHUVA. 

Algum lugar na estrada
Além, é claro, da afetividade que nos une esse tipo de convivência trás momentos muito preciosos para um grupo de teatro e um grupo de amigos, pudemos passar juntos por situações que não teria a menor graça passarmos separados, situações que vão desde ficarmos hospedados num motel até eu chorar copiosamente com a música "All you need is love" assistindo o filme ACROSS THE UNIVERSE na van. [sim, isso aconteceu, chorei um bocado]. 

Praia de Guaxuma já na volta
Nessa longa viagem curta, descobri que amizade é carinho, é amor incondicional e é estar lá pra o outro sempre que necessário, nossa, nunca conversei tanto sobre tanta coisa com essas pessoas, e olhe que tem gente que eu conheço quase desde sempre. AMIGO É A FAMÍLIA QUE A GENTE ESCOLHE, e mesmo amando muito minha família de sangue, amo bastante minha família de teatro [ok, ultimamente tenho sido meio mãezona, mas já tá valendo]. 


Nós - Maurício, eu, Cícero, Carol e Udson
Sei que daqui poucas horas estarei começando mais uma grande etapa de minha vida, mas essa viagem de uma semana conhecendo meu próprio estado e meus amigos me fez muito bem, minha vida está fundamentada nisso. Sei também que três meses passam voando, mas vou sentir uma falta danada das implicâncias do Maurício, das divagações do Udson, da regulagem de Carol com o que a gente comia ou bebia e do silêncio do Cícero que se quebrava sempre com alguma piada [normalmente] sem graça. Foi um convívio intenso demais pra não sentir saudades.



sábado, 9 de abril de 2011

Porque às vezes é preciso desapegar

Nesses três primeiros meses do ano eu quase não parei em Maceió, e consquentemente deixei de estar presente  no processo que eu estava encenando com a Invisível Companhia de Teatro, porém sempre soube do comprometimento da equipe que compõe A COR DA CHUVA (meus queridos amigos e companheiros de trabalho: Udson Pinheiro, Cícero Rosa, Maurício Ebbers do Monte e Carol Morais), e escutei Udson comentar comigo que nunca imaginou que eu fosse desapegada ao ponto de não me incomodar que o processo seguisse sem mim.

DESAPEGO talvez seja uma palavra muito forte, tenho dificuldade de deixar de lado certas coisas, talvez a melhor palavra nesse caso seja CONFIANÇA, porque isso eu tenho de sobra nesse grupo, por saber que nós tivemos que desapegar de muitas coisas para continuar/começar a fazer teatro. 

Esse momento da Invisível é muito peculiar pra mim, por saber que mesmo não podendo estar ao lado todo tempo, nós cinco estamos juntos e que pra todos a vontade de crescer, aprender e difundir é o ponto em comum diante de personalidades tão diferentes. Essa próxima semana faremos quatro apresentações com esse espetáculo, uma em Maceió e três no interior, estarei conciliando as coisas que mais gosto: meus amigos, teatro e viagem, assim que nossa turnê acabar vou-me para Buenos Aires e só volto daqui três meses pra retomarmos nossos estudos. Taí, já sei que vou sentir muitas saudades dos meus quatro amigos invisíveis.

Meus amigos invisíveis: Udson, Maurício, Carol e Cícero