sábado, 9 de abril de 2011

Porque às vezes é preciso desapegar

Nesses três primeiros meses do ano eu quase não parei em Maceió, e consquentemente deixei de estar presente  no processo que eu estava encenando com a Invisível Companhia de Teatro, porém sempre soube do comprometimento da equipe que compõe A COR DA CHUVA (meus queridos amigos e companheiros de trabalho: Udson Pinheiro, Cícero Rosa, Maurício Ebbers do Monte e Carol Morais), e escutei Udson comentar comigo que nunca imaginou que eu fosse desapegada ao ponto de não me incomodar que o processo seguisse sem mim.

DESAPEGO talvez seja uma palavra muito forte, tenho dificuldade de deixar de lado certas coisas, talvez a melhor palavra nesse caso seja CONFIANÇA, porque isso eu tenho de sobra nesse grupo, por saber que nós tivemos que desapegar de muitas coisas para continuar/começar a fazer teatro. 

Esse momento da Invisível é muito peculiar pra mim, por saber que mesmo não podendo estar ao lado todo tempo, nós cinco estamos juntos e que pra todos a vontade de crescer, aprender e difundir é o ponto em comum diante de personalidades tão diferentes. Essa próxima semana faremos quatro apresentações com esse espetáculo, uma em Maceió e três no interior, estarei conciliando as coisas que mais gosto: meus amigos, teatro e viagem, assim que nossa turnê acabar vou-me para Buenos Aires e só volto daqui três meses pra retomarmos nossos estudos. Taí, já sei que vou sentir muitas saudades dos meus quatro amigos invisíveis.

Meus amigos invisíveis: Udson, Maurício, Carol e Cícero

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Recorte de conversas em chats na internet

"Sorvete, vermelho ou mulher, tanto faz" (frase de minha amiga Aninha)

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Resquícios de outra cidade

Vi passar muito rápido,
Vi na mesma hora
Me apaixonei na hora
(Exagerei muito rápido)

Sonho já tem uma semana seguida
Vi só por cinco dias seguidos...
Mas o que acontece a seguir?

Como chegar perto de quem é de muito longe?

sexta-feira, 1 de abril de 2011

fragmentos de DIÁLOGO DE SURDOS

CENA 1:

AMANDA E BEATRIZ

(as duas sentadas, esperando alguém vir busca-las)

AMANDA: - Tá demorando né!? Não vejo a hora de chegar em casa, detesto mato, inseto, carrapato, nem sei como você me convenceu a acampar no meio do nada, sem água encanada, chuveiro elétrico, você sabe que eu odeio tomar banho de água fria...
BEATRIZ: - Ué, você não estava sempre reclamando que depois que comecei com o Felipe e você com o Carlos, a gente nunca mais viajou juntas...
AMANDA: - Verdade. Mas precisava ser para um lugar desses?
BEATRIZ: - Amiga é pra essas coisas, eu ira com você até o inferno se fosse preciso...
AMANDA: - Mas aquilo ali ERA o inferno!
BEATRIZ: - Eu achei tudo lindo, a cachoeira, as flores, o luar... um luar daqueles a gente não vê na cidade...
AMANDA: - Eu me senti uma pateta brigando pra montar a barraca, tendo que me virar no matinho mesmo... nunca mais outra dessas... nunca mais! (se aproxima do rosto de Beatriz mas se afasta) Até a estrada de volta pra cidade é ruim, me senti num tobogã dentro do ônibus... Quero minha cama, meu banheiro. Não teve nada de bom nessa viagem...
BEATRIZ: - Claro que teve Amanda... ficamos mais... próximas... 
AMANDA: - (Amanda e Beatriz se olham - pausa) Você tem razão... ficamos mais próximas mesmo... (Amanda ri nervosa, Beatriz se afasta um pouco) mas não muito próximas... (Amanda ainda nervosa tentando desconversar) Nossa, tá demorando né?! Que estrada longa...
BEATRIZ: - Pois é... (Beatriz mexe nos cabelos de Amanda, depois segura sua mão) ... tá demorando... (Se aproximando de Amanda)
AMANDA: - Eu, (meio confusa) eu, eu acho que... que eu... (Beatriz se aproxima mais ainda de Amanda)
BEATRIZ: - Você acha que... (bem perto de Amanda)
AMANDA: -... eu acho... eu tenho... eu tô... (Amanda beija Beatriz) ... apaixonada por você... pronto... falei... (Amanda se afasta) Mas isso não faz muito sentido... (Beatriz beija Amanda)
BEATRIZ: - (soltando Amanda) Que bosta, minha mãe fez aniversário ontem e eu nem liguei, nem comprei uma lembrancinha pra ela...
AMANDA: - Relaxa, quando você chegar em casa telefona pra ela.
BEATRIZ: - (manhosa abraçada com Amanda) Nossa, tá demorando mesmo né?!
AMANDA: - (soltando Beatriz) Não sei você, mas eu não tô muito a vontade com essa situação...
BEATRIZ: - Bobagem a sua... o Carlos nunca vai...
AMANDA: - Chegar daqui a pouco... 
BEATRIZ: - (Chateada, se arrumando pra ir embora) Se você prefere essa “viagem” acaba aqui!
AMANDA: - (segurando Amanda) Por mim não! (Se beijam)
BEATRIZ: - (rindo meio sem graça) Tava demorando né!?



CENA 6B:

HUMBERTO E IVAN

(Humberto e Ivan se encontram, começam a se agarrar e vão indo para um quarto, tiram a roupa, simulação de cena de sexo, Humberto é passivo e durante o ato diz que ama Ivan, terminam o sexo, Ivan tanta beijar Humberto, Humberto se esquiva)

HUMBERTO: - Acabou!
IVAN: - Como assim?
HUMBERTO: - Acabou acabando.
IVAN: - Isso não é resposta.
HUMBERTO: - Eu sei.
IVAN: - Tem certeza?
HUMBERTO: - De que?
IVAN: - De que acabou?
HUMBERTO: - Tenho.
IVAN: - Foi alguma coisa que eu fiz, que eu falei?
HUMBERTO: - Não! Só acabou, só isso!
IVAN: - Essas coisas não acabam assim do nada, elas vão acabando aos poucos, eu nem notei nada... Não pode ser... (Ivan tenta fazer carinho em Humberto que se esquiva)
HUMBERTO: - Acabou. Eu já disse... você acha que é fácil pra mim?
IVAN: - Mas isso já aconteceu...
HUMBERTO: - Acabou!
(Silêncio – Ivan se levanta)
HUMBERTO: - E agora?
IVAN: - Agora o que?
HUMBERTO: - O que a gente faz agora?
IVAN: - Você eu não sei, mas eu vou embora (Humberto segura Ivan, que se solta)
HUMBERTO: - Mas porque?
IVAN: - Você acabou de me dizer que acabou, eu não tenho mais nada pra fazer aqui... (Ivan se levanta e começa a se vestir)
HUMBERTO: - Então é isso, você me usa e vai embora.
IVAN: - Eu te uso? Eu nunca te usei, nem quando eu quis, e foram muitas vezes, mas eu nunca tive coragem de te usar... Eu devia ter feito isso, esse sigilo, esse segredo, essa coisa toda, você tem vergonha e não de mim. Você tem vergonha de você, você tem vergonha de gostar de homem, mas isso é problema seu...
HUMBERTO: - Você quer uma carona?
IVAN: - Não.
HUMBERTO: - Mas é caminho...
IVAN: - Caminho? Aprendeu a adivinhar pensamento agora? Você nem sabe pra onde eu vou...
HUMBERTO: - Pra onde você vai? Eu te levo!
IVAN: - Eu vou pra qualquer lugar que seja longe de você! (termina de se vestir e sai)
HUMBERTO: - (grita) Viado!!!!

domingo, 27 de março de 2011

Três dias em Natal, quatro apresentações

só sendo devota dessa santa para
aguentar três sessões de ROJO
num mesmo dia
Estive em Natal/RN entre os dias 23 e 26 de Março para apresentações de ROJO no IFRN Cidade Alta, o bom de viajar para fazer apresentações é que temos a oportunidade de sentir a reação de outras plateias, não que possamos dizer o que é melhor ou pior, mas as características do público de cada cidade é muito específico. Outro aspecto positivo dessas incursões em grupo é porque isso nos aproxima daqueles que trabalhamos, mas que nem sempre na saída das salas de ensaio temos como conversar, interagir ou até mesmo simplesmente nos divertirmos.

As amizades se firmam, passamos a conhecer os outros sob outro ponto de vista, o que é bom, é a oportunidade de conhecer sobre tudo a nós mesmos, por outro lado uma convivência tão intensa entre o grupo faz com que não tenhamos tempo de "turistar" na cidade, não deu tempo de conhecer quase nada de Natal, nem deu pra pensar se moraria ou não lá, e isso seria importante de sentir porque eu pretendo - em algum momento da minha vida, quando tomar vergonha na cara - tentar meu mestrado na UFRN (embora também queira tentar noutros lugares).

Nesses três dias fizemos quatro apresentações da montagem cênica, sendo três delas no mesmo dia, é uma experiência que eu espero que não se repita porque realmente fica muito cansativo fazer isso, não é apenas cansaço físico, mas é de uma intensidade emocional muito grande, acho que não precisamos passar por isso mais uma vez.

Esses momentos também sempre voltam a mente meus impasses, gosto muito de ROJO, me satisfaço trabalhando nele, MAS tem outras coisas na minha vida profissional que precisam ser priorizadas, além de outros processos de pesquisa que eu gostaria muito de iniciar dentro da Invisível, processos que tenham mais a cara dos membros do grupo. Minha outra preocupação no momento é como continuar trabalhando a distância, com ROJO acho que não cabe, principalmente por causa da minha posição dentro da montagem, quando aos outros projetos se tornaria mais possível.

Enfim, cada coisa no seu tempo, meu esporte agora é REVEZAMENTO DE MALA... e a saudade parece ser meu sentimento mais constante.

domingo, 20 de março de 2011

e agora?

Me arrependo,
Faço mea culpa,
Tento chutar o balde.

Me desprendo,
Peço desculpa,
Quero que não acabe.

Descubro que sim,
Disse que não,
Mas aguardo um talvez...

E se não for assim?
E se não for opção?
E se for o que não sei...

Se o tempo voltasse, 
E agora o que se faz
quando se quer algo 
que disse que não quero mais?

Não é amor,
São as possibilidades de partir
Não é amor,
São as possibilidades de ficar...

Espero que tenha dado tempo!

quinta-feira, 17 de março de 2011

"Desistindo"

Estou nesse momento em Belo Horizonte passando por mais uma etapa de minha vida, nesse momento eu estou vendo o que significa pesar e medir suas decisões e sentir o impacto das suas escolhas. Passei as três últimas semanas completamente confusa sobre o que eu quero fazer daqui pra frente, e algo muito específico está me chamando atenção, muito específico mesmo, por outro lado desisti de algo antes mesmo de chegar ao fim por julgar não ser o melhor pra mim, MAS reconheço que hoje me senti tentada de verdade porém não me arrependo de ter "desistido", porque lá no fundo sei que isso não é pra mim, por mais interessante e tentador que pudesse parecer.

Duas coisas pesam muito nessas decisões que tenho tomado, primeiro é que eu não posso mais jogar tudo pra cima sem tanta garantia (nesse caso sem nenhuma mesmo) porque bem ou mal eu já tenho meu grupo estruturado em Maceió, não estou nem me sinto sozinha como antes, segundo, sei lá, essa segunda coisa se chama intuição, então achei mais honesto comigo e com todos admitir que não é pra mim - pelo menos não agora. Conheci muita gente interessante que eu gostaria de ter na minha vida, sei lá, por afinidade, porque gostei delas, porque queria conviver mesmo e até mesmo criar junto, figuras que nem sei se ficam no projeto, mas que no pouco contato que tive já as quero muito bem.

meus pés sobre as pedras de Sabará/MG
Bom, mesmo "desistindo" essa vinda pra Belo Horizonte me proporcionou encontros e reencontros muito preciosos, não tenho do que me queixar, por isso que sigo brindando às possibilidades!!!